16 fevereiro 2018

A primeira HQ de Faria?

Foi na revista A Pacotilha, lançada provalvelmente em 14 de abril de 1866...



que Cândido Aragonez de Faria teria criado sua primeira HQ (com seis quadros, contando a desventura de um sujeito casado que resolve se suicidar, em versos à la cordel):

Ed. 28 - 20 de outubro de 1866
 Nesse periódico ele também usou onomatopéia bem parecida com a de O Trapeiro:

Ed. 23 - 15 de setembro de 1866
Faria também "copiou" o estilo de Flumen Junius fazendo umas tiras usando apenas silueta:

Ed. 29 - 27 de outubro de 1866
E por falar no Flumen Junius, ele também trabalhava em A Pacotilha:

Ed. 26 - 6 de outubro de 1866
É fácil perceber que o estilo em silueta influenciou Faria, pois mesmo depois do sergipano viajar pra Europa e trabalhar em La Caricature ainda publicava HQs bem semelhantes às do mestre Flumen Junius:


3 de janeiro de 1885
Pra efeito de comparação, a HQ original de Flumen Junius (já postada por essas bandas):
Bazar Volante - 3 de dezembro de 1865

 De bônus ficam essas duas HQs (em dois estágios cada), onde a tira superior depende da inferior pra fazer sentido:

27 de dezembro de 1884

Fontes:
A Pacotilha
La Caricature
Bazar Volante

08 fevereiro 2018

Capítulos 57, 58 e 59 de As Aventuras de Zé Caipora

Segue a saga, aqui Zé Caipora descobre como Amélia (Memé) quase se casou com outro:

Ed. 190 - 5 de maio de 1906 - O Malho - Cap. 57
Ed. 192 - 19 de maio de 1906 - O Malho - Cap. 58
Ed. 193 - 26 de maio de 1906 - O Malho - Cap. 59
Fonte:  Biblioteca Nacional


28 dezembro 2017

Max Müller - do capítulo 11 ao 15

Segue a saga...
De como Max Müller salva Mr. Greener de um tigre, Dr. Gevelot cura os ferimentos de Mr. Greener, e Max Müller salva Dr. Gevelot de um crocodilo...

Cap. 11 - edição 396 de 7 de maio de 1913
Cap. 12 - edição 397 de 14 de maio de 1913

Cap. 13 - edição 398 de 21 de maio de 1913
Cap. 14 - provavelmente ed. 399 de 28 de maio de 1913 (este capítulo está na edição 394 de 23 de abril de 1913 por algum erro de arquivamento)
Cap. 15 - edição 400 de 4 de junho de 1913

Fonte:  Biblioteca Nacional

19 outubro 2017

Capitulos 54, 55 e 56 de Zé Caipora

Segue a saga do Zé.

Ed. 187 de 14 de abril de 1906 - O Malho - Capítulo 54
Mesma edição 187 de O Malho - uma espécie de "Cenas dos próximos capítulos"
Edição 188 de 21 de abril de 1906 - O Malho - Cap. 55
Edição 189 de 28 de abril de 1906 - O Malho - Cap. 56
Fontes:  Rui Barbosa e Biblioteca Nacional

15 outubro 2017

Qual o primeiro tarzanide dos Quadrinhos?

Esse artigo foi publicado originalmento no QI 146 (do Edgard Guimarães) - pra mim uma honra pois faço parte desse mundo de pesquisa em quadrinhos faz apenas 1 ano...  Vamos a ele:

Levando em consideração que uma das características desse tipo de herói é a vida na selva, a primeira imagem que me vem a memória é a da Lupa Capitolina amamentando Romulus e Remus:

Wikipédia


Pesquisando no blog do (Quadripop) a gente se depara com Saturnin, um herói que foi criado por macacos e vive uma aventura rocambolesca ao redor do mundo. No decorrer da história vários personagens de Jules Verne cruzam o caminho do herói.

Trata-se de um romance ilustrado, escrito por Alber Robida, com 808 páginas (no link você verá 819 páginas devido às páginas adicionais de créditos da digitalização) e 450 desenhos do próprio autor.
Biblioteca Nacional da França
 
O livro é de 1879/1880. É tarzanide mas não é quadrinho. Ainda segundo Quim/Quiof a obra só foi quadrinizada entre 1938 e 1940.

Em 1886 nos deparamos com esse quase tarzanide – o Zé Caipora, de Angelo Agostini. A epopéia em quadrinhos começa em 1883, mais precisamente em 27 de janeiro. Mas só em 1886, à partir do capítulo 13 (de outubro), o Zé se embrenha na selva.

(...)

Zé Caipora é quadrinho mas não é tarzanide, pra isso lhe falta a comunicação com animais etc. Está repleto de ação, às vezes uma ação meio atrapalhada como esta do capítulo 15 (de dezembro de 1886):

 
 (...)

Seguindo adiante encontramos o Mowgli, publicado em 1895 por Rudyard Kipling:

Archive - arte de W. H. Drake
 Mowgli, a exemplo de Saturnin, também não é História em Quadrinhos.

1905 (bem antes de Francis Lacassin cunhar o termo) parece ter sido o ano da publicação do primeiro tarzanide das Histórias em Quadrinhos/Banda Desenhada. A história saiu na revista La Jeunesse Illustrée nº 126 de 23 de julho de 1905.
Esta revista francesa com toda certeza foi uma das fontes de O Tico-Tico que republicava as HQs de Benjamim Rabier, Mauryce Motet e Th. Barn (muitas até sem a assinatura do autor).
La Jeunesse Illustrée contava com nomes como Baker (que fazia uma imitação do estilo de HQ do grande Gustave Verbeek) e também com HQs adultas de drama, ação, mistério, terror, ficção científica e de cunho fantástico de Georges Omry, Kotek, Marius Monnier, e principalmente de Louis Denis-Valvérane (1870-1843).
Valvérane parece ser mais conhecido pelos quadros que pintou do que pelas HQs – que não são poucas. E sem mais delongas, aqui vai a história de Simian I – Rei dos Orangotangos:

La Jeunesse Illustrée

Simian (um trocadilho em francês para símio) foi discriminado desde jovem pela sua aparência mas não ligava pra isso. Com o tempo tornou-se um bom marinheiro e proprietário do navio Garlaban.

Certa feita, quando estava tirando uma soneca (sesta) foi lançado ao mar por dois tripulantes. Conseguiu se salvar por ser um bom nadador, desmaiou de cansaço na beira da praia e ao recobrar os sentidos se viu em meio a orangotangos.

Manteve contato por meio de gestos com o maior deles, foi encaminhado à vila dos orangotangos. Lá Simian preparou uma lareira (ele trazia uma caixa de fósforos no bolso) e talvez por isso – essa “mágica” que lembra um pouco Anhanguera – foi tido pelos primatas como um líder e se autodenominou “Simian I”. Então ele começa a treinar seus súditos para que eles lutassem e navegassem (em um “simulador de navio”).
Alguns anos se passam e Simian observa dois humanos conversando em um descampando próximo às árvores, reconhece os dois como sendo os mesmos que tentaram matá-lo e descobre que eles se tramavam um ataque a Bornéo; volta à vila e convoca os orangotangos para aprisionarem os corsários (piratas).

É recebido pelos habitantes de Bornéo com muito entusiasmo, o próprio Governador faz questão de o parabenizar e o nomear capitão de várias embarções da colõnia.
Simian depois de tudo isso continua a visitar seus súditos com certa frequência.
(...)

*atualizado em 19 de outubro de 2017 para linkar um post sobre tarzanide, do Quim (que nos comentários trouxe um link muito bom de "Le Journal Amusant".

05 outubro 2017

Max Müller - do capítulo 6 até o capítulo 10

Seguindo a saga de Max Müller, vamos mostrar a conclusão do sequestro, Max no navio baleeiro, e por fim, o resgate do herói pelo Mister Greener:

Cap. 6 edição 391 de 2 de abril de 1913

Cap. 7 edição 392 - 9 de abril de 1913
Cap. 8 edição 393 - 16 de abril de 1913
Cap. 9 edição 394 - 32 de abril de 1913

Cap. 10 edição 395 - 30 de abril de 1913
Fonte:  O Tico-Tico