30 junho 2017

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (1865 - 1918)

O cara do "Hino à Bandeira", membro fundador da ABL, poeta que nos deixou essa impecável homenagem ao nosso idioma:

Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

 Colaborou em "A Semana", onde encontramos esta caricatura (ladeada por uma crônica-biográfica presente do amigo Alberto de Oliveira) feita, provavelmente, pelo Belmiro em 1896:

in Biblioteca Nacional

Bom, como o assunto aqui é quadrinhos - HQ - cabe mencionar que Olavo tradaptou a HQ "Max und Moritz" - publicado em 1865 na Alemanha, por coincidência o ano do nascimento de Bilac - com o título de "Juca e Chico", não me perguntem o ano da publicação tradaptada no Brasil...
E como mencionei essa faceta do poeta, ao vasculhar o Arquivo Público do Estado de São Paulo encontrei um exemplar da revista "A Lua" (SP) de 1910,


 E então me deparo com esta HQ (tira-foto-montagem) que parece ser francesa (pelo menos as lengendas estão escritas no idioma de lá:  "Le premier jour du mois / Le quinze du mois / La fin du moise"; há uma marca "AK" que bem pode ser a chancela do estúdio fotográfico):


Olhando bem até que o cabra das fotos lembra muito o poeta, não custa nada supor que ele mesmo tenha feito as fotografias.  Ou será que vendiam essas HQs ao estilo dos atuais álbuns de figurinhas e ele completando a sequência resolveu aplicar mais humor à história?
Eu tradaptaria assim:  "No comecim do mês / No mêi do mês / Na véspera do ôto mês"
Mas o mestre gostava de rima, e pra quem não gosta de inclinar a imagem pra ler as legendas do Bilac:


I

No começo é o paraíso…



II

No meio, conta-se o cobre…



III

No fim, extingue-se o riso:

Coitado de quem é pobre!

Inté.

20 junho 2017

Primeira Exposição Internacional de História em Quadrinhos

Não, não estou falando daquela de 19 de junho de 1951 - aberta às 20:30, numa terça-feira, em SP (na Wikipédia a data precisa de correção pois é dada como dia 18).
Mas já que tratei dela, vá lá, vamos aos detalhes com a ajuda de um jornal da Comunidade Judaica em SP - "Nossa Voz":

Nossa Voz (Semanário Israelita Brasileiro) - 7 de junho de 1951 - ed. 219
E uma pequena nota sobre a exposição:

Nossa Voz - 28 de junho de 1951
A revista Fundamentos (também de SP), em 1953, faz uma menção ao episódio, com ênfase numa tal celeuma:


Sem querer polemizar mais ainda, mas, é mesmo muito estranho uma exposição feita por brasileiros, para brasileiros e no Brasil não abrir espaço para artistas daqui.  E a escusa de Álvaro de Moya (considerando que a revista Fundamentos transcreveu corretamente) não faz sentido algum posto que à época aina estavam vivos grandes mitos dos quadrinhos brasileiros, e pra não me alongar cito apenas Alfredo Storni, Oswaldo Storni, Raul Pederneiras, Max Yantok, Francisco Acquarone, e, Calixto "K. Lixto" Cordeiro.

Como disse no início do post não falo desta 'primeira exposição' mas de uma outra (segundo o link da Wikipedia acima) realizada na Itália em 2 de novembro de 1950 (sete meses antes da brasileira), com esses caras aqui:

in Nova Isole 24 ore

Mais detalhes aqui em Guida al Fumetto Italiano.  Teve até participação (meio que indireta) duma senhora chamada Maria Montessori, conhece?

Vai um video da Primeira Exposição Internacional Italiana de História em Quadrinhos - que contou com pelo menos a presença de material dos EUA, União Soviética, e Japão:


Inté.

P.S.:  lá no link da Wikipédia fala de uma outra, mais antiga ainda, nos EUA, mas não encontrei detalhes da dita cuja...  Tb não encontrei os jornais italianos da época (as hemerotecas italianas são fraquinhas).

17 junho 2017

Capítulos 45, 46 e 47 de Zé Caipora (de Angelo Agostini) - O Malho

Seguindo o rastro de Zé Caipora - do século XIX ao século XX:

Ed. 173 de 6 de janeiro de 1906 - cap. 45
Ed. 174 de 13 de janeiro de 1906 - cap. 46
Ed. 177 de 3 de fevereiro de 1906 - cap. 47

O capítulo 45 só o encontrei na Casa Rui Barbosa (que só gosta do navegador Chrome), os outros dois, como de praxe, catei na Biblioteca Nacional.

Vai como bônus talvez a primeira arte de Augusto Rocha em "O Malho" - pra quem não o conhece ele criou um outro herói brasileiro, o Max Muller, em 1913 em O Tico-Tico:

Ed. 37 - 1903
Inté.

08 junho 2017

Super Herói brasileiro anterior ao Príncipe Oscar ("Annel Mágico")

Existe uma polêmica quanto ao primeiro super herói do mundo, alguns arriscam o Príncipe Oscar, de 1908, a história conta com 8 páginas e 16 gravuras, na revista O Tico-Tico (Biblioteca Nacional):


*acrescentado em 8 de junho de 2017 18:53h este print lá da Confraria do Gibi:



O autor é o cearense Gustavo Barroso, que na época contava com uns 20 anos de idade, pois ele nasceu em 1888:


A história é de um príncipe que tirava super-poderes de um anel mágico, pois bem, acontece que no ano anterior, o baiano Cícero Valladares (Dudu), criou um outro super herói brasileiro, que portanto devereria ser o primeiro ser com super poderes publicada em quadrinhos.
Trata-se de uma genuína HQ de 3 páginas e 21 quadrinhos, publicada em O Tico-Tico no ano da graça de 1907:

Ed. 88 - 1907

Ed. 89 - 1907


Ed. 90 - 1907

O Super Herói chama-se "Príncipe Gilberto" que enfrentou vários monstros (entre eles o Gênio das Sombras) com o auxílio de um artefato com super poderes, a "Lança Mágica", e por fim retirou o encanto que aprisionava a linda Princesa Celina em um corpo de dragão, e os dois viveram felizes para sempre...

Portanto, esse é o primeiro Super Herói Brasileiro, o distinto Príncipe Gilberto, criado pelo Dudu em 1907 - um ano antes do surgimento do Príncipe Oscar.

Inté,

p.s.:  Dudu tb criou outras histórias fabulosas em quadrinhos, mas isso é pra um outro post.

in Biblioteca Nacional e Hemeroteca Gustavo Barroso

04 junho 2017

Capítulos 42, 43 e 44 de Zé Caipora em "O Malho"

Segue a saga.

Cap. 42 - Ed. 170 - 16 de dezembro de 1905
Cap. 43 - Ed. 171 - 23 de dezembro de 1905
Cap. 44 - Ed. 171 - 30 de dezembro de 1905
E como estamos comemorando as "Festas Juninas" vamos dar um pulinho em "O Tico-Tico":

Ed. 36 - 1906 - O Tico-Tico - Angelo Agostini
Inté.