19 outubro 2017

Capitulos 54, 55 e 56 de Zé Caipora

Segue a saga do Zé.

Ed. 187 de 14 de abril de 1906 - O Malho - Capítulo 54
Mesma edição 187 de O Malho - uma espécie de "Cenas dos próximos capítulos"
Edição 188 de 21 de abril de 1906 - O Malho - Cap. 55
Edição 189 de 28 de abril de 1906 - O Malho - Cap. 56
Fontes:  Rui Barbosa e Biblioteca Nacional

15 outubro 2017

Qual o primeiro tarzanide dos Quadrinhos?

Esse artigo foi publicado originalmento no QI 146 (do Edgard Guimarães) - pra mim uma honra pois faço parte desse mundo de pesquisa em quadrinhos faz apenas 1 ano...  Vamos a ele:

Levando em consideração que uma das características desse tipo de herói é a vida na selva, a primeira imagem que me vem a memória é a da Lupa Capitolina amamentando Romulus e Remus:

Wikipédia


Pesquisando no blog do (Quadripop) a gente se depara com Saturnin, um herói que foi criado por macacos e vive uma aventura rocambolesca ao redor do mundo. No decorrer da história vários personagens de Jules Verne cruzam o caminho do herói.

Trata-se de um romance ilustrado, escrito por Alber Robida, com 808 páginas (no link você verá 819 páginas devido às páginas adicionais de créditos da digitalização) e 450 desenhos do próprio autor.
Biblioteca Nacional da França
 
O livro é de 1879/1880. É tarzanide mas não é quadrinho. Ainda segundo Quim/Quiof a obra só foi quadrinizada entre 1938 e 1940.

Em 1886 nos deparamos com esse quase tarzanide – o Zé Caipora, de Angelo Agostini. A epopéia em quadrinhos começa em 1883, mais precisamente em 27 de janeiro. Mas só em 1886, à partir do capítulo 13 (de outubro), o Zé se embrenha na selva.

(...)

Zé Caipora é quadrinho mas não é tarzanide, pra isso lhe falta a comunicação com animais etc. Está repleto de ação, às vezes uma ação meio atrapalhada como esta do capítulo 15 (de dezembro de 1886):

 
 (...)

Seguindo adiante encontramos o Mowgli, publicado em 1895 por Rudyard Kipling:

Archive - arte de W. H. Drake
 Mowgli, a exemplo de Saturnin, também não é História em Quadrinhos.

1905 (bem antes de Francis Lacassin cunhar o termo) parece ter sido o ano da publicação do primeiro tarzanide das Histórias em Quadrinhos/Banda Desenhada. A história saiu na revista La Jeunesse Illustrée nº 126 de 23 de julho de 1905.
Esta revista francesa com toda certeza foi uma das fontes de O Tico-Tico que republicava as HQs de Benjamim Rabier, Mauryce Motet e Th. Barn (muitas até sem a assinatura do autor).
La Jeunesse Illustrée contava com nomes como Baker (que fazia uma imitação do estilo de HQ do grande Gustave Verbeek) e também com HQs adultas de drama, ação, mistério, terror, ficção científica e de cunho fantástico de Georges Omry, Kotek, Marius Monnier, e principalmente de Louis Denis-Valvérane (1870-1843).
Valvérane parece ser mais conhecido pelos quadros que pintou do que pelas HQs – que não são poucas. E sem mais delongas, aqui vai a história de Simian I – Rei dos Orangotangos:

La Jeunesse Illustrée

Simian (um trocadilho em francês para símio) foi discriminado desde jovem pela sua aparência mas não ligava pra isso. Com o tempo tornou-se um bom marinheiro e proprietário do navio Garlaban.

Certa feita, quando estava tirando uma soneca (sesta) foi lançado ao mar por dois tripulantes. Conseguiu se salvar por ser um bom nadador, desmaiou de cansaço na beira da praia e ao recobrar os sentidos se viu em meio a orangotangos.

Manteve contato por meio de gestos com o maior deles, foi encaminhado à vila dos orangotangos. Lá Simian preparou uma lareira (ele trazia uma caixa de fósforos no bolso) e talvez por isso – essa “mágica” que lembra um pouco Anhanguera – foi tido pelos primatas como um líder e se autodenominou “Simian I”. Então ele começa a treinar seus súditos para que eles lutassem e navegassem (em um “simulador de navio”).
Alguns anos se passam e Simian observa dois humanos conversando em um descampando próximo às árvores, reconhece os dois como sendo os mesmos que tentaram matá-lo e descobre que eles se tramavam um ataque a Bornéo; volta à vila e convoca os orangotangos para aprisionarem os corsários (piratas).

É recebido pelos habitantes de Bornéo com muito entusiasmo, o próprio Governador faz questão de o parabenizar e o nomear capitão de várias embarções da colõnia.
Simian depois de tudo isso continua a visitar seus súditos com certa frequência.
(...)

*atualizado em 19 de outubro de 2017 para linkar um post sobre tarzanide, do Quim (que nos comentários trouxe um link muito bom de "Le Journal Amusant".

05 outubro 2017

Max Müller - do capítulo 6 até o capítulo 10

Seguindo a saga de Max Müller, vamos mostrar a conclusão do sequestro, Max no navio baleeiro, e por fim, o resgate do herói pelo Mister Greener:

Cap. 6 edição 391 de 2 de abril de 1913

Cap. 7 edição 392 - 9 de abril de 1913
Cap. 8 edição 393 - 16 de abril de 1913
Cap. 9 edição 394 - 32 de abril de 1913

Cap. 10 edição 395 - 30 de abril de 1913
Fonte:  O Tico-Tico

10 setembro 2017

Códice Colombino-Becker ou Códice Alfonso Caso - 500 até 1199

Depois que li esse post sobre umas HQs-jarros da civilização maia, postado por Giorgio Cappelli, resolvi pesquisar um pouco.
Acabei por encontrar essa HQ feita em pele de veado, curtida e dobrada de maneira safonada, com leitura muitas vezes em zig-zag debaixo pra cima, da esquerda pra direita.




Teria sido feito no século XII (abrangendo fatos que ocorridos entre o ano 500 até o ano de 1199, ou até a chegada dos esploradores europeus) pelos povos nativos de onde hoje chamamos México.  Existem outros códigos escritos e desenhados por povos pré-combianos, mais isso é tópico pra outros posts.

A HQ conta as conquistas (nações e mulheres) do líder "Oito-Veados - Garra de Tigre" e também do líder "Quatro Ventos", assim como as cerimônias religiosas pertinentes à cada conquista.

Na pele de veado também existem anotações feitas bem depois (por colonizadores, acredito), datadas de 1571.
Parte dele (Códice Colombino - 24 pranchas) está no México e outra parte (Códice Becker - 16 pranchas) está na Áustria.
O estudioso Alfonso Caso foi quem propôs que ambos se tratavam de um só e se encarregou de mostrar como se montava o todo.



Tentei aqui, após uma leitura rápida pela tese (prinst acima) de Nancy Ireze Patterson Troike, montar o quebra-cabeças pra vocês, voilà:

CC - 01

CC - 02

CC - 03

CC - 04

CC - 05

CC - 06

CC - 07

CC - 08
 
CC - 09

CC - 10

CC - 11

CC - 12

CC - 13

CC - 14

CC - 15

CC - 17

CC - 18

CC - 19
CC - 20

CC - 21

CC - 22

CC - 23

CC - 24

CB - 01

CB - 02

CB - 03

CB - 04

CB - 05

CB - 06

CB - 07

CB - 08

CB - 09

CB - 10

CB - 11
CB - 12
CB - 13

CB - 14

CC - 16
CB - 15

CB - 16
*CC - código colombino (alta definição)
**CB - código becker (baixa definição)

Haviam outros códigos (ou códices em respeito ao México) como disse acima, creio que os mais interessantes são:
Codex/código/códice Dresden - do ano de 1200 ao ano de 1250 - com ritos, eclipses, dilúvio, fases de Vênus, Calendário Maya etc.  Com até possíveis sequências como esta:


Codex Mexicanus (Azteca) - mais ou menos do ano de 1590.  Já com a presença (desenho de Jesus na Cruz) da fé européia:


Codex Azcatitlan (Azteca ?) - por volta de 1530 - já relatando a colonização européia:


E pra não ficar um post sisudo ao extremo, vai uma mostra do que era o Facebook 1539 (in Codex Vergara - Azteca ?), vejam o logotipo e um emoji de "curtir", rsrsrsr:



Fontes:
Wikipédia
Tese de Nancy Ireze Patterson Troike
World Digital Library
FAMSI
ADEVA
Biblioteca Digital Mexicana